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O Que Personalidade?

O que é a personalidade de uma pessoa?

De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA), o termo personalidade se refere a diferenças individuais em padrões característicos de pensar, sentir e agir, É um conceito relacionado à individualidade e identidade de uma pessoa, sendo relevante tanto a nível pessoal quanto social.

Em outras palavras, a personalidade é o que torna cada pessoa única. O desenvolvimento da personalidade se dá ao longo do tempo, com grande influência das experiências vividas na infância. No entanto, a personalidade não é imutável e, portanto, pode sofrer alterações conforme as vivências e o momento de vida da pessoa.

Contudo, a personalidade não é formada apenas pela experiência. Há um componente fisiológico na personalidade, principalmente no que diz respeito ao temperamento de uma pessoa, que é determinado geneticamente. O social também influencia na personalidade, tendo em vista que esta também guarda uma grande relação com a moralidade vigente.

O que é personalidade e exemplos?

A personalidade descreve os padrões únicos de pensamentos, sentimentos e comportamentos que distinguem uma pessoa das outras – Um produto da biologia e do ambiente, permanece bastante consistente ao longo da vida. Exemplos de personalidade podem ser encontrados em como descrevemos os traços de outras pessoas. Por exemplo: «Ela é generosa, atenciosa e um pouco perfeccionista» ou «Eles são leais e protetores com os amigos».

A palavra «personalidade» deriva da palavra latina persona, que se refere a uma máscara teatral usada por artistas para representar papéis ou disfarçar suas identidades. Embora existam muitas definições de personalidade, a maioria se concentra no padrão de comportamento e nas características que podem ajudar a prever e explicar o comportamento de uma pessoa.

As explicações para a personalidade podem se concentrar em uma variedade de influências, desde os efeitos genéticos até o papel do ambiente e a experiência na formação da personalidade de um indivíduo.

Quais são os 5 tipos de personalidade?

Testes de traços de personalidade Big Five – Podemos medir com sucesso os traços de personalidade com diferentes ferramentas e técnicas. No total, estes testes estão tentando descobrir o quanto seu comportamento varia de alto para baixo nos cinco traços que incluem: Abertura, Conscienciosidade, Extroversão, Agradabilidade e Neuroticismo.

Como saber qual é a minha personalidade?

Diante disso, para saber mais a fundo qual o seu tipo de personalidade, o ideal é procurar ajuda psicológica. Nesses casos, testes mais complexos e específicos serão aplicados, a fim de desenhar um panorama mais fidedigno do tipo de personalidade.

Qual é a diferença entre caráter e personalidade?

Qual a diferença entre caráter e personalidade? – O caráter é formado por traços morais de um indivíduo que determinam a forma contante de uma pessoa agir e reagir. Já a personalidade é um conjunto de características psicológicas que ditam como uma pessoa pensa, sente e age.

  • Em termos gerais, o caráter fomenta de forma constante a maneira que uma pessoa age.
  • Resumidamente, pode-se dizer que o caráter tem a ver com a índole do indivíduo, assim como a firmeza de sua força de vontade.
  • A personalidade, de modo geral, distingue características marcantes de uma pessoa.
  • É a sua individualidade.

Ou seja, determina como a pessoa se relaciona socialmente, com um estilo único na forma de pensar, sentir e agir.

Qual é a função da personalidade?

Conforme Bergamini (2005), a personalidade tem como função descrever e determinar as características extrínsecas e intrínsecas dos indivíduos, ou melhor, aquilo que cada um é. Aquilo que cada um mostra ser.

Qual a idade que se forma a personalidade?

A personalidade é formada na primeira infância, até os 2, 7 ou 14 anos, dependendo da linha de pesquisa. De acordo com Holland, ela é fruto da genética, das experiências nessa fase da vida e a influência das figuras parentais. Em síntese, o importante é que na vida adulta a personalidade está formada.

Quais são os 16 tipos de personalidade?

A combinação dessas Preferências Individuais pode gerar até dezesseis resultados diferentes, que são os 16 tipos de personalidades: ESTJ, ESTP, ENTJ, ENFJ, ESFJ, ESFP, ENTP, ENFP, ISTJ, ISTP, INTJ, INFJ, ISFJ, ISFP, INTP, INFP.

Quais são as 4 personalidades de uma pessoa?

Quais são os 4 temperamentos humanos? – Os 4 temperamentos humanos são: colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico, cada um com as suas particularidades e especificidades. Confira as características dos temperamentos humanos abaixo:

Quantas personalidades uma pessoa pode ter?

Como é ter dupla personalidade – Uma pessoa com dupla personalidade geralmente é cercada por muitos traumas e a dissociação se dá como uma forma dela enfrentar a sua própria realidade, criando mineiras diferentes de lidar com cada situação a depender da ocasião, das pessoas ao redor e da forma que será inserida em tal.

Geralmente pessoas com TDI possuem 2 a 5 personalidades, mas em alguns casos elas podem ter 10, 20, 30 ou até mais personas diferentes. Ou seja, o número de personalidades criadas não pode ser definido e essas não surgem todas de uma vez, podendo acontecer dentro de um curto ou longo período de tempo.

Em muitos casos pessoas que tem baixo conhecimento sobre esse transtorno acreditam que o indivíduo com dupla personalidade tem tendencias mentirosas e fictícias sobre o seu quadro, não acreditando que de fato na sua existência. Essa é uma acusação grave e que pode afetar ainda mais a pessoa com TDI, por isso esse quadro deve ter maior visibilidade. O Que Personalidade

Quantas personalidades tem o ser humano?

O Que Personalidade Cientistas determinaram as quatro personalidades com algorítmos (Foto: Nappy Photos/Kasuma/Creative Commons) Pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos, examinaram dados de mais de 1,5 milhão de pessoas e descobriram que existem pelo menos quatro grupos distintos de personalidade: regular, reservada, egocêntrica e exemplar.

As descobertas desafiam paradigmas existentes na psicologia, Publicado na revista Nature Human Behavior, o estudo utilizou questionários com 44 a 300 perguntas, nos quais voluntários se candidataram para responder em troca de ter mais informações sobre a própria personalidade. «As pessoas tentaram classificar os tipos de personalidade desde o tempo de Hipócrates, mas a literatura científica descobriu que isso não fazia sentido», disse William Revelle, professor de psicologia na Faculdade de Artes e Ciências de Weinberg, nos EUA.

«Agora, esses dados mostram que há densidades mais altas de personalidades», falou Luís Amaral, da McCormick School of Engineering. «Os tipos de personalidade só existiam na literatura de autoajuda e não tinham lugar nas revistas científicas. Achamos que isso vai mudar por causa deste estudo.» A partir das respostas dos questionários, os especialistas apontaram os cinco traços básicos de personalidade: neuroticismo, extroversão, abertura a novas experiências, simpatia e conscienciosidade.

  • Depois de desenvolver novos algorítmos, surgiram quatro tipos de personalidades.
  • Regular Pessoas regulares são ricas em neuroticismo e extroversão, e apresentam baixos níveis de abertura a novas experiências.
  • As mulheres são mais propensas do que os homens a entrar nessa categoria.
  • Reservada O indivíduo reservado é emocionalmente estável, mas não tem abertura ou neuroticismo.

Não é extrovertido, mas é agradável e consciente. Exemplar Pessoas exemplares pontuam baixo em neuroticismo e alto em todas as outras características. Há mais mulheres nesta categoria. A probabilidade de alguém ser exemplar aumenta com a idade. «São pessoas confiáveis ​​e abertas a novas idéias», falou Amaral.

Essas são pessoas boas para se encarregarem das coisas. Na verdade, a vida é mais fácil se você tiver mais negócios com exemplares.» Egocêntrica Esse grupo pontua muito em extroversão e abaixo da média em abertura, simpatia e consciência. «São pessoas com quem você não quer sair», afirmou Revelle. Há uma diminuição dramática no número de egocêntricos à medida que as pessoas envelhecem, tanto com mulheres quanto com homens.

Leia também: + Boas amizades mudam o jeito que você vê o mundo e seu reflexo + Cérebro e personalidade influenciam o sucesso do efeito placebo Segundo Amaral, a primeira tentativa dos especialistas de classificar os dados utilizou algoritmos de agregação tradicionais, mas isso gerou resultados imprecisos.

No começo, vieram 16 tipos de personalidade, e há pesquisas o suficiente para que soubesse que isso era ridículo», declarou Revelle. «Eu acreditava que não havia tantos tipos.» Por isso, os pesquisadores desenvolveram um novo método, reduzindo as possibilidade de agregação dos algorítmos. Esse procedimento revelou os quatro grupos.

Para ter certeza de que as categorias eram precisss, eles usaram um grupo de egocêntricos – garotos adolescentes – para validar as informações. «Sabemos que os adolescentes se comportam de maneira egocêntrica», disse Amaral. «Se os algorítmos estivessem corretos e selecionados para dados demográficos, os resultados apontaria para os egocêntricos como o maior grupo de pessoas naquela situação.» De acordo com os especialistas, esta pesquisa pode ajudar profissionais de saúde a avaliar as pessoas com personalidades extremas.

  • Além disso, pode colaborar com a seleção de candidatos em vagas de emprego ou até para quem está procurando um parceiro amoroso.
  • A analise também aponta que, à medida que as pessoas amadurecem, seus tipos de personalidade mudam.
  • Por exemplo, pessoas mais velhas tendem a ser mais conscientes e simpáticas do que aquelas com menos de 20 anos de idade.

«Quando olhamos para grandes grupos de pessoas, fica claro que há tendências», afirmou Amaral. «Algumas pessoas podem mudar suas características ao longo do tempo.» Curte o conteúdo da GALILEU ? Tem mais de onde ele veio: baixe o app Globo Mais para ler reportagens exclusivas e ficar por dentro de todas as publicações da Editora Globo.

Qual é o tipo de personalidade mais comum?

Qual a personalidade mais comum? – Na nossa listagem acima, você pode ter reparado que a personalidade ISFJ – O Defensor não apareceu. De acordo com pesquisas realizadas nos Estados Unidos, este é o tipo mais comum, sendo aproximadamente 13% da população mundial.

Como o nome já mostra, a pessoa desse grupo tem características muito marcantes por ser extremamente doadora e empática, se preocupando constantemente em cuidar e proteger os outros. Em alguns momentos, sobrepõe essa atenção e cuidado com quem ama e até esquece de suas necessidades e vontades. Papa Francisco e Beyoncé são grandes nomes que pertencem à combinação de introspecção, sensorial, sentimento e julgamento.

Essa essência doadora também é muito presente na profissão dos defensores. Os profissionais dessa personalidade comumente são médicos, professores ou policiais, áreas em que podem sentir o quanto ajudam e colaboram na vida de outras pessoas.

Como se forma a personalidade de uma pessoa?

Como a personalidade se desenvolve na infância – A personalidade se desenvolve de acordo com os padrões de pensamento, sentimentos e comportamentos que a pessoa tem durante a vida. Quanto mais esses padrões são alimentados, mais a personalidade se estabelece! Toda personalidade é única e individual, isso não é nenhum segredo.

Mas desde quando uma personalidade começa a se formar? A personalidade infantil começa a ser construída desde que o bebê é bem pequenino. Então, sim, os fatores biológicos e hereditários contam nesse aspecto. Mas também há questões psicológicas e aquelas ligadas às interações sociais, o que faz de nós, humanos, seres Toda criança já começa a apontar tendências de personalidade desde cedo, mas a tendência em questão pode ser minimizada, consolidada ou potencializada.

Vamos pegar uma personalidade como exemplo: uma criança daquelas superdeterminadas. Se ela demonstra essa personalidade desde cedo, esse traço pode ser reprimido, pode ser apenas aprovado ou pode receber vários estímulos para continuar sendo assim. Tá acompanhando? Pois bem, é assim que os traços de personalidade se consolidam.

Qual é o tipo de personalidade mais raro?

O INFJ é o tipo de personalidade mais rara do mundo, com cerca de apenas 1-3% da população expressando essa composição única.

O que é ser uma pessoa de personalidade forte?

A psicologia aborda a pessoa de personalidade forte como um indivíduo muito resistente, que se mantém firme diante das adversidades. Essas pessoas podem ser extrovertidas ou introvertidas, independentes e, em alguns momentos, até encaradas como rudes.

Como age uma pessoa que tem dupla personalidade?

No transtorno dissociativo de identidade, anteriormente denominado transtorno de personalidade múltipla, duas ou mais identidades se alternam no controle da mesma pessoa. Essas identidades podem ter padrões de fala, temperamento e comportamento que são distintos daqueles que costumam ser associados à pessoa.

Estresse extremo durante a infância pode fazer com que algumas crianças não integrem as suas experiências em uma identidade coesa. A pessoa apresenta duas ou mais identidades e tem lapsos de memória sobre eventos rotineiros, informações pessoais importantes e eventos traumáticos ou estressantes, bem como vários outros sintomas, incluindo depressão e ansiedade. Uma entrevista psiquiátrica completa e questionários especiais, às vezes sob hipnose ou uso de sedativos, ajudam o médico a diagnosticar o transtorno. A psicoterapia de longa duração pode ajudar a pessoa a integrar suas identidades ou, pelo menos, ajudar as identidades a cooperarem

O transtorno dissociativo de identidade é raro, e o número de pessoas que o têm é desconhecido. O transtorno dissociativo de identidade tem as seguintes formas: Na forma possessiva, as diferentes identidades da pessoa parecem ser agentes externos que assumiram o controle da pessoa.

O agente externo pode ser descrito como um ser ou espírito sobrenatural (geralmente um demônio ou um deus, que exige que a pessoa seja punida por ações passadas) mas, às vezes, é outra pessoa (normalmente alguém que já morreu, às vezes de maneira dramática). Em todos os casos, a pessoa conversa e age de forma diferente da normal.

Portanto, as identidades diferentes ficam óbvias para as outras pessoas. Em muitas culturas, estados semelhantes de possessão são uma parte normal da cultura ou religião local e não são considerados um transtorno. Em contraste, no transtorno dissociativo de identidade, a identidade alternativa não é desejada, provoca angústia e comprometimento substanciais e surge em horas e locais que são inapropriados para a situação social, cultura e/ou religião da pessoa.

As formas não possessivas tendem a ser menos evidentes para os outros, embora possam mostrar uma mudança súbita no comportamento interpessoal ou afetivo. A pessoa pode sentir uma alteração súbita no senso de si própria, às vezes sentindo como se fosse um observador de seu próprio discurso, emoções e ações, em vez de o agente.

O transtorno dissociativo de identidade costuma ocorrer em pessoas que passaram por estresse ou trauma devastador durante a infância. Nos Estados Unidos da América, Canadá e Europa, aproximadamente 90% das pessoas com esse transtorno têm histórico de terem sofrido abuso grave (físico, sexual ou emocional) ou negligência durante a infância.

  1. Algumas pessoas não sofreram abuso, mas passaram por uma perda importante no início da vida (por exemplo, a morte do pai ou da mãe), um problema de saúde grave, ou outros eventos extraordinariamente estressantes.
  2. Conforme as crianças se desenvolvem, elas precisam aprender a integrar experiências e tipos de informação complicados e diversos em uma única identidade pessoal coesa e complexa.

O abuso sexual e físico que ocorre na infância quando a identidade pessoal está se desenvolvendo pode ter efeitos duradouros sobre a capacidade da pessoa de formar uma identidade única e unificada, especialmente quando os agressores são os pais ou cuidadores.

É possível que as crianças que sofreram abuso passem por fases em que percepções, memórias e emoções diferentes das suas experiências de vida fiquem segregadas. Essa segregação de experiências é intensificada por pais ou outros cuidadores que se comportam de forma inconsistente com o passar do tempo (por exemplo, alternam entre um comportamento afetuoso e um abusivo), um comportamento que é chamado de trauma de traição.

Com o passar do tempo, é possível que essas crianças desenvolvam uma capacidade cada vez mais aperfeiçoada de escapar o abuso ao «ir embora», ao desligarem-se do ambiente físico agressivo ou fugir para dentro da própria mente. Cada fase ou experiência traumática pode ser usada para criar uma identidade diferente.

Contudo, se essas crianças vulneráveis forem suficientemente protegidas e tranquilizadas por adultos que efetivamente cuidam delas, é menos provável que o transtorno dissociativo de identidade se desenvolva. O transtorno dissociativo de identidade é crônico e potencialmente incapacitante, ainda que muitas pessoas desempenhem suas atividades muito bem e levem vidas criativas e produtivas.

Vários sintomas são sintomas tradicionais do transtorno dissociativo de identidade. A amnésia pode envolver os seguintes aspectos:

Lapsos de memória de eventos pessoais passados: Por exemplo, a pessoa pode não se lembrar de alguns períodos da infância ou da adolescência. Lapsos de memória de eventos rotineiros atuais e habilidades consolidadas: Por exemplo, é possível que a pessoa se esqueça temporariamente como usar um computador. Descoberta de evidência de coisas que fizeram, mas que não se lembram de terem feito.

A pessoa pode sentir que um período desapareceu ou se perdeu. Após um episódio de amnésia, a pessoa pode descobrir objetos no armário em casa ou amostras de caligrafia que ela não consegue explicar nem reconhecer. Além disso, é possível que ela se encontre em lugares diferentes daqueles que lembra ter estado pela última vez e não tem ideia do motivo que a levou e como ela chegou até lá.

É possível que a pessoa não consiga se recordar de coisas que fez nem explicar alterações comportamentais. É possível que ela seja informada que disse ou fez coisas de que não consegue se lembrar. Na forma possessiva, os familiares ou outros observadores conseguem imediatamente notar as diferentes identidades.

A pessoa conversa e age de forma evidentemente diferente, como se outra pessoa tivesse assumido o comando. Na forma não possessiva, as diversas identidades muitas vezes não são tão evidentes para terceiros, embora a pessoa possa mostrar uma mudança súbita na forma como se comporta e se relaciona com os outros.

Em vez de agir como se outra pessoa tivesse assumido o comando, a pessoa com essa forma de transtorno dissociativo de identidade pode vir a se sentir desconectada de aspectos dela própria (um quadro clínico denominado despersonalização Transtorno de despersonalização/desrealização O transtorno de despersonalização é caracterizado por uma sensação persistente ou recorrente de desligamento do próprio corpo ou dos próprios processos mentais, como se a pessoa fosse um observador.

leia mais ), como se estivesse assistindo a si mesma em um filme ou como se estivesse vendo uma pessoa diferente. De repente, ela pode pensar, sentir, dizer e fazer coisas que não consegue controlar e que parecem não pertencer a ela. Posturas, opiniões e preferências (por exemplo, quanto à comida, roupas ou interesses) podem mudar de repente e, então, voltar.

  • Alguns desses sintomas como, por exemplo, a mudança da preferência por certos alimentos, podem ser notados por outras pessoas.
  • É possível que a pessoa sinta que o corpo está diferente (por exemplo, como o de uma criança ou de alguém do sexo oposto) e que o corpo não pertence a ela.
  • Ela pode se referir a si mesma na primeira pessoa do plural (nós) ou na terceira pessoa (ele, ela, eles), às vezes, sem saber por quê.

Algumas das personalidades da pessoa têm conhecimento de informações pessoais importantes, que as outras personalidades não conhecem. Algumas personalidades parecem se conhecer e interagir entre si num complexo mundo interior. Por exemplo, a personalidade A pode estar ciente da personalidade B e saber o que B faz, como se estivesse observando o comportamento de B.

  • A personalidade B pode ou não estar ciente da existência da personalidade A e assim por diante com outras personalidades presentes.
  • A mudança de personalidades e a falta de conhecimento do comportamento das outras personalidades geralmente tornam a vida caótica.
  • Uma vez que as identidades interagem entre si, a pessoa afetada pode relatar que ouve vozes.

As vozes podem ser conversas internas entre as identidades ou podem abordar a pessoa diretamente, às vezes, comentando o comportamento da pessoa. Muitas vozes podem falar ao mesmo tempo e podem causar muita confusão. As pessoas com o transtorno dissociativo de identidade também sofrem intrusões de identidades, vozes ou memórias em suas atividades rotineiras.

  1. Por exemplo, no trabalho, uma identidade agressiva pode subitamente gritar com um colega de trabalho ou chefe.
  2. As pessoas com transtorno dissociativo de identidade descrevem, muitas vezes, um conjunto de sintomas semelhantes aos de outros transtornos de saúde mental, bem como aos de muitos problemas médicos em geral.

Por exemplo, elas frequentemente desenvolvem dores de cabeça intensas ou outros desconfortos e dores. Diferentes grupos de sintomas ocorrem em diferentes momentos. Alguns desses sintomas são um indício de que há outro transtorno, mas alguns podem refletir a intrusão de experiências do passado no presente.

  1. Por exemplo, a tristeza pode indicar a existência concomitante de depressão Depressão Uma breve discussão sobre o transtorno do luto persistente.
  2. A depressão é um sentimento de tristeza e/ou diminuição do interesse ou prazer em realizar atividades que se torna um transtorno quando.
  3. Leia mais ou pode também indicar que uma das personalidades está revivendo as emoções associadas a sofrimentos anteriores.
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Muitas pessoas com transtorno dissociativo de identidade são deprimidas e ansiosas. Elas são propensas a provocarem ferimentos em si mesmas. Os transtornos por uso de substâncias Considerações gerais sobre transtornos por uso de substâncias Os medicamentos e outras substâncias, independentemente de serem usados para finalidades médicas legítimas, por hábito (por exemplo, cafeína) ou para fins recreativos, são um componente essencial.

  • Leia mais, episódios de automutilação Automutilação não suicida A automutilação não suicida é um ato que causa dor ou danos superficiais ao próprio corpo, mas não tem a intenção de causar morte.
  • Embora os métodos usados pelas pessoas para agredir a si próprias.
  • Leia mais e comportamento suicida Comportamento suicida O suicídio é a morte causada por um ato intencional de autoagressão, que é concebido para ser letal.

O comportamento suicida inclui o suicídio consumado, a tentativa de suicídio e a ideação. leia mais (pensamentos e tentativas) bem como disfunção sexual ocorrem com frequência (consulte Disfunção sexual em homens Considerações gerais sobre a disfunção sexual em homens Em homens, a disfunção sexual refere-se à dificuldade em ter relações sexuais.

A disfunção sexual engloba diversos transtornos que afetam O impulso sexual (libido) A capacidade de alcançar ou. leia mais e Disfunção sexual em mulheres Considerações gerais sobre a disfunção sexual na mulher A disfunção sexual inclui dor durante a relação sexual, contrações involuntárias dolorosas dos músculos ao redor da vagina (espasmos) e falta de interesse (desejo) por sexo e problemas com a.

leia mais ). Assim como muitas pessoas com um histórico de abuso, elas podem sair ou permanecer em situações perigosas e são vulneráveis a novos traumas. Além de ouvir vozes das outras identidades, a pessoa pode apresentar outros tipos de alucinações (visuais, relacionadas ao tato, ao olfato ou ao paladar).

  • As alucinações podem ocorrer como parte de um flashback.
  • Portanto, o transtorno dissociativo de identidade pode ser diagnosticado incorretamente como um transtorno psicótico, como esquizofrenia Esquizofrenia A esquizofrenia é um transtorno mental caracterizado pela perda de contato com a realidade (psicose), alucinações (é comum ouvir vozes), falsas convicções (delírios), pensamento e comportamento.

leia mais, No entanto, esses sintomas alucinatórios são diferentes das alucinações típicas dos transtornos psicóticos. A pessoa com transtorno dissociativo de identidade apresenta esses sintomas como se viesse de uma identidade alternativa, de dentro da mente.

Uma avaliação médica baseada em critérios diagnósticos específicos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição, Revisão de Texto (DSM-5-TR)

O médico faz o diagnóstico do transtorno dissociativo de identidade com base no histórico e sintomas da pessoa:

A pessoa tem duas ou mais identidades e ocorre uma perturbação no seu senso de ser e agir de acordo com a maneira que ela é. A pessoa tem lapsos de memória em relação a eventos diários, dados pessoais importantes e eventos traumáticos – informações importantes que normalmente não seriam esquecidas. A pessoa se sente muito angustiada por causa de seus sintomas ou os sintomas fazem com que ela não consiga funcionar em situações sociais ou no trabalho.

O médico realiza uma entrevista psiquiátrica completa e usa questionários especiais, desenvolvidos para ajudar a identificar o transtorno dissociativo de identidade e descartar outros transtornos de saúde mental. Um exame físico e exames de laboratório podem ser necessários para determinar se a pessoa está com um problema médico que poderia explicar determinados sintomas.

Podem ser necessárias entrevistas longas e o uso cuidadoso de hipnose ou a aplicação intravenosa de um sedativo para relaxar a pessoa (entrevista com intervenção medicamentosa). Pode ser pedido à pessoa que mantenha um diário entre as consultas médicas. Essas medidas podem permitir que o médico encontre outras identidades ou deixar a pessoa mais propensa a revelar informações sobre um período de tempo esquecido.

O médico também pode tentar entrar diretamente em contato com as outras identidades pedindo para conversar com a parte da mente envolvida em comportamentos de que a pessoa não consegue se lembrar ou que parecem ter sido realizados por outra pessoa. Geralmente, os médicos conseguem diferenciar entre o transtorno dissociativo de identidade e fingidores (pessoas que fingem ter certos sintomas físicos ou psicológicos para obter um benefício).

Tendem a relatar excessivamente sintomas bem conhecidos da doença e a não relatar suficientemente outros sintomas Tendem a criar identidades alternativas estereotípicas Geralmente parecem se divertir com a ideia de ter o transtorno (as pessoas que de fato têm transtorno dissociativo de identidade costumam tentar escondê-lo)

Se o médico suspeitar que a pessoa está fingindo ter o transtorno, ele pode fazer uma verificação cruzada de informações oriundas de várias fontes para tentar detectar inconsistências que descartariam a possibilidade de transtorno dissociativo de identidade.

Cuidados de suporte, inclusive o uso de medicamentos conforme necessário para tratar sintomas associados Psicoterapia Às vezes, formação de imagens e hipnose

Geralmente, o objetivo do tratamento do transtorno dissociativo de identidade é integrar as diferentes personalidades em uma única. No entanto, a integração nem sempre é possível. Nessas situações, o objetivo é obter uma interação harmoniosa entre as personalidades, permitindo um funcionamento mais normal.

A psicoterapia é, muitas vezes, longa, árdua e emocionalmente dolorosa. A pessoa pode sofrer muitas crises emocionais devido às ações das identidades e ao possível desespero que pode ocorrer ao recordar as memórias traumáticas durante a terapia. Vários períodos de hospitalização psiquiátrica podem ser necessários para ajudar a pessoa a enfrentar os momentos difíceis e as recordações particularmente dolorosas.

Durante a hospitalização, a pessoa recebe apoio e é monitorada continuamente. Os principais componentes de uma psicoterapia eficaz para o transtorno dissociativo de identidade incluem:

Oferecer uma maneira de estabilizar emoções intensas Negociar relações entre os estados das identidades Superar as memórias traumáticas Proteger contra vitimização futura Estabelecer e melhorar um bom relacionamento entre a pessoa e o terapeuta

Às vezes, os psicoterapeutas utilizam técnicas Hipnoterapia A hipnoterapia é um tipo de medicina de interação mente-corpo. Na hipnoterapia (hipnose), as pessoas são guiadas para um estado avançado de relaxamento e de maior atenção. A pessoa hipnotizada.

leia mais, como a hipnose, para ajudar essas pessoas a se acalmarem, alterarem sua perspectiva dos eventos e, gradualmente, diminuírem a sensibilidade aos efeitos de memórias traumáticas, que, às vezes, são toleradas apenas em pequenas quantidades. A hipnose pode, às vezes, ajudar a pessoa a ter acesso às suas identidades para facilitar a comunicação entre elas e controlar a mudança entre elas.

Alguns sintomas podem surgir e desaparecer espontaneamente, mas o transtorno dissociativo de identidade não se resolve por si. A recuperação da pessoa depende dos sintomas e das características manifestadas e da qualidade e duração do tratamento recebido.

É possível mudar a personalidade de uma pessoa?

É possível mudar o temperamento de uma pessoa? – Embora o temperamento de uma pessoa seja influenciado por fatores genéticos e ambientais, é possível mudá-lo até certo ponto, O temperamento é uma combinação de traços de personalidade inatos e adquiridos que influenciam a maneira como uma pessoa reage a situações e interage com os outros.

  • Autoconhecimento: compreender os próprios traços de personalidade e padrões de comportamento é o primeiro passo para promover mudanças;
  • Terapia: participar de terapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), pode ajudar a identificar e modificar pensamentos e comportamentos indesejados;
  • Práticas de mindfulness: aprender e praticar técnicas de mindfulness, como meditação e atenção plena, pode ajudar a desenvolver habilidades de autorregulação emocional e comportamental;
  • Desenvolvimento de habilidades sociais: melhorar habilidades sociais, como comunicação assertiva, empatia e resolução de conflitos, pode promover mudanças no temperamento ao longo do tempo;
  • Estabelecimento de metas realistas: estabelecer metas claras e realistas relacionadas a mudanças no temperamento pode ajudar a manter a motivação e o foco;
  • Apoio social: contar com amigos, familiares ou grupos de apoio pode ser útil durante o processo de mudança.

Lembre-se de que mudar o temperamento é um processo contínuo e que cada pessoa é única. Algumas pessoas podem experimentar mudanças mais rápidas e significativas do que outras, dependendo de fatores como predisposição genética, ambiente e histórico de vida.

Como saber se a pessoa tem um bom caráter?

O Que Personalidade Importância do Caráter na vida da pessoa Provavelmente, você já ouviu alguém dizer que outra pessoa é «mau caráter». Apesar de ser uma expressão comum, ela não está totalmente correta. De acordo com o dicionário, a palavra «caráter» significa uma qualidade distinta, índole, gênio e dignidade.

  1. Ou seja: ou você tem ou você não tem caráter.
  2. Dessa forma, é natural que queiramos sempre nos relacionar com pessoas de caráter (namorados, amigos, familiares etc.).
  3. Além disso, como essa é uma característica extremamente positiva, é compreensível que os recrutadores das empresas busquem por ela em candidatos a vagas de emprego, por exemplo.

Ter caráter não é um diferencial competitivo ou uma qualidade profissional. É um pré-requisito para qualquer pessoa ser aceita, não apenas em um emprego, mas em qualquer círculo social. Diante disso, neste artigo, você vai compreender:

O que é caráter; Qual é a diferença entre caráter e personalidade; Como o caráter se forma e se desenvolve; Quais são os impactos do caráter na vida pessoal e na vida profissional; Como os profissionais de RH (recursos humanos) identificam quem tem caráter ou não.

Ficou curioso? Então, continue a leitura e saiba tudo sobre o assunto! O que é caráter? O caráter de uma pessoa é, de acordo com a psicologia, o conjunto de traços morais da personalidade de um indivíduo. Mais racional e intencional, o caráter costuma ser contrastado com o temperamento, que é a parte mais emocional e automática da personalidade. O Que Personalidade A comunidade científica acredita que há influência dos genes sobre o caráter de uma pessoa, mas de forma muito discreta, em comparação com o temperamento. O caráter de uma pessoa é formado após a infância e é bastante influenciado pela cultura e pela aprendizagem social.

  1. O temperamento, por sua vez, tende a ser mais estável ao longo da vida, sendo menos influenciado pelo meio.
  2. No cotidiano, as pessoas costumam utilizar a palavra caráter para se referirem aos valores de um indivíduo e à coerência das suas atitudes.
  3. Assim, ele é popularmente tomado como um sinônimo de moralidade, confiabilidade, honestidade, ética, responsabilidade e honradez.

Por isso, podemos compreender que alguém «de caráter» é honesto e tem princípios, enquanto alguém que é «mau caráter» é desonesto e sem princípios. O caráter é também a força que leva um indivíduo a fazer escolhas sensatas e com retidão de ações, sendo associado às pessoas que não escolhem o caminho mais fácil, porém desonesto, para ter vantagens individuais.

Caminha lado a lado com valores importantes, como a empatia e o altruísmo. Qual é a diferença entre caráter e personalidade? A caracterologia é a ciência que estuda o caráter, mas nem sempre há consenso entre os psicólogos e os neurocientistas acerca das diferenças existentes entre caráter e personalidade,

A esse respeito, os nomes mais notáveis no assunto são os franceses Gaston Berger e René Le Senne, bem como os holandeses Gerardus Heymans e Enno Dirk Wiersma — o primeiro sendo filósofo, e os 3 últimos sendo psicólogos. Em alguns contextos, caráter e personalidade são utilizados como sinônimos.

No entanto, apesar das semelhanças, é possível identificar alguns aspectos que diferem essas duas palavras. O conceito de caráter é definido pelo conjunto de traços morais e éticos de um indivíduo. Em termos gerais, o caráter define a índole da pessoa e como ela rege as suas atitudes, dentro dos parâmetros da honestidade e do respeito ao próximo.

Assim, quando afirmamos que alguém tem caráter, isso ocorre porque essa pessoa apresenta traços de honestidade, sensatez e senso de justiça. Em contrapartida, um indivíduo sem caráter é aquele mais propenso a realizar atitudes que podem prejudicar outras pessoas em benefício próprio.

O conceito de personalidade, por sua vez, é muito mais abrangente, pois determina as características gerais da mente de uma pessoa, não apenas no âmbito moral, como é o caso do caráter. Assim, a definição mais aceita na atualidade é a de que o caráter é um dos componentes da personalidade de um indivíduo — o componente moral.

A personalidade de uma pessoa, porém, leva em consideração a sua maneira única de pensar, sentir e agir em relação ao mundo que a cerca. Isso inclui o seu temperamento, a gestão das suas emoções, as suas competências e habilidades, as suas motivações, os seus valores de vida, a sua autoestima, enfim, o seu modo geral de ser.

Portanto, pode-se dizer que o caráter é um dos aspectos que compõem a personalidade de alguém. Como o caráter se forma e se desenvolve? Segundo especialistas, o caráter, assim como a personalidade, é influenciado geneticamente. Isso significa que nós tendemos a ser e agir de forma semelhante à de nossos antepassados.

No entanto, apesar dessa influência, o fator ambiental também tem peso considerável. Na infância, os traços de caráter são percebidos, ainda de forma bruta. Quando a criança começa a conviver com os seus familiares e colegas, ela passa a entender que cada pessoa tem o seu espaço, e que é preciso respeitá-las.

Ela compreende que as suas atitudes têm impacto direto na vida daqueles com quem ela convive, e, a partir dessa interação, passa a entender o que é certo e o que é errado. A família, a escola, a religião, entre outras instituições que façam parte da vida de um indivíduo ajudam a formar esse caráter, por meio do ensino dos seus valores.

Todavia, quando cresce, a pessoa desenvolve o seu próprio senso crítico (resultado de tudo aquilo que já viveu) e passa a tomar as suas próprias decisões, identificando quais crenças ainda fazem sentido para si e quais já não fazem. Quais são os impactos do caráter na vida pessoal e na vida profissional? Em âmbito pessoal, uma pessoa de caráter é aquela que vai dizer a verdade, ser justa com aqueles ao seu redor, valorizar os seus amigos e familiares, ajudar a quem puder, manifestar gratidão por aqueles que a ajudaram; além de ser gentil, altruísta e empática.

  • São pessoas confiáveis, que assumem a responsabilidade pelos seus atos, desculpam-se pelos seus erros e mantêm a lealdade aos seus familiares, amigos e parceiros amorosos.
  • Em âmbito profissional, o indivíduo com caráter é aquele que vai procurar progredir em cargos e ganhos financeiros por meio do estudo, do empenho e do talento.

Jamais explorará as habilidades de outras pessoas, tomará créditos dos outros para si ou prejudicará alguém para se beneficiar disso. Isso permite que essas pessoas construam uma rede de contatos ampla e confiável, tanto pessoal como profissionalmente.

É possível mudar o caráter de uma pessoa?

É possível mudar a personalidade de uma pessoa? A terapia tem esse poder? Fomos buscar informação atualizada com psicólogos especializados no assunto. Fique por dentro! 20 OUT 2015 · Leitura: min. Mais de uma pessoa já se perguntou se é possível mudar o caráter de alguém com a ajuda da terapia.

  1. Isso acontece especialmente em caso de problemas entre casais ou na família.
  2. Fomos perguntar a psicólogos especializados se isso é possível, quando pode acontecer e que tipo de resultado esperar.
  3. Confira as dicas e compartilhe sua experiência com a gente na seção de comentários.
  4. De onde vem o caráter? A personalidade de uma pessoa é formada por suas experiências, sua relação com os demais e por suas características genéticas e fisiológicas.

A família tem um papel fundamental na configuração do caráter da pessoa, já que muito vem dos exemplos passados, podendo impactar de forma positiva ou negativa. Expertos ressaltam que o comportamento de uma pessoa, o que chamamos caráter, está em constante formação, sendo dinâmico em essência.

«Somos dotados de emoções diversas, sentimentos nem sempre adaptados e necessidades variáveis de acordo com o nosso desenvolvimento e vivências. A psicoterapia é um recurso de intervenção valioso para colaborar num processo de crescimento e mudança, desde que esta seja da vontade da pessoa», comenta a psicóloga Marcia Cristina Gil na seção de Perguntas do portal.

É possível mudar uma pessoa? Apesar de o caráter ser moldável, nem sempre é possível provocar a mudança desejada, O psicólogo Zwinglio Christopher de Oliveira explica que a base de qualquer mudança é a percepção da necessidade de se mudar e um desejo real de realizá-la.

  • Perceber que é necessário que algo seja mudado em nossas atitudes é o primeiro passo.
  • O segundo é aceitar as consequências de se percorrer o caminho da mudança.» A chave do mistério estará, portanto, em onde está a vontade da mudança, se parte da própria pessoa ou se somos nós que queremos mudar alguém.

«Toda mudança implica em querer. Mudar outra pessoa porque não gostamos do jeito que ela se relaciona com o mundo seria algo condicionante e não autêntico e, fazer com que alguém viva de forma não autêntica é algo angustiante e opressor», alerta o psicólogo Dielson Rocha.

  1. Nesse caso, o diálogo aparece como melhor opção para evidenciar a necessidade de mudanças de postura para o benefício global da relação.
  2. Experimente você mesmo mudar seu comportamento a partir da sugestão que alguém te fez, você concluirá que, sem desejo real, não há mudança», conclui a psicóloga Lúcia Helena Sampaio.

Se você necessita de ajuda especializada, pode encontrar um psicólogo perto de você clicando aqui, Foto: por Green Heat (Flickr) As informações publicadas por MundoPsicologos.com não substituem em nenhum caso a relação entre o paciente e seu psicólogo.

Quais são os 16 tipos de personalidade?

A combinação dessas Preferências Individuais pode gerar até dezesseis resultados diferentes, que são os 16 tipos de personalidades: ESTJ, ESTP, ENTJ, ENFJ, ESFJ, ESFP, ENTP, ENFP, ISTJ, ISTP, INTJ, INFJ, ISFJ, ISFP, INTP, INFP.

Qual é a função da personalidade?

Conforme Bergamini (2005), a personalidade tem como função descrever e determinar as características extrínsecas e intrínsecas dos indivíduos, ou melhor, aquilo que cada um é. Aquilo que cada um mostra ser.

Quais são os fatores que determinam a personalidade de uma pessoa?

Para sintetizar, a personalidade é determinada por muitos fatores que interagem, incluindo forças genéticas, culturais, de classe social, de família além da forma do sujeito assimilar e dar sentido às experiências vividas e às relações interpessoais por ele estabelecidas.

O que é estado de personalidade normal?

Estudo da normalidade psicológica Docente-livre de Psiquiatria na Fac. Med. Univ. do Brasil (Rio de Janeiro). Diretora da Clínica de Repouso Tijuca. Ex-assistente da Johns Hopkins University. Graduada pelo William Alanson White Institute of Psychiatry Estamos mais preocupados em compreender a normalidade, em fixar o seu conceito, do que propriamente em definí-la.

Em sua essência complexo, o problema seria prejudicado por uma definição que procurasse fixá-lo em palavras, desde que se trata, na realidade, de um conceito essencialmente dinâmico. Nessas condições, a definição não auxiliaria em nada a compreensão do assunto. O que importa sôbre tudo é o conhecimento dos fatôres a tomar em consideração quando falamos em normalidade, pois deles depende a limitação do conceito e a base de qualquer tentativa definidora.

A etimologia da palavra não nos traz qualquer auxílio: normalidade vem do grego norma, que significa medida, com a acepção de perfeição, de máximo, de protótipo, que não corresponde ao uso atual da palavra. Por enquanto, deve ficar estabelecido o caráter relativo da normalidade, que nada tem de único e universal; o conceito em si representa uma série de realidades contingentes que o fazem mudar de aspecto, adquirir várias formas e acepções, conforme o ângulo pelo qual o encaramos.

Em relação ao homem, distinguimos um aspecto orgânico, um aspecto fisiológico, e um aspecto psicológico da normalidade; é êste último que nos interessa no momento, embora os três aspectos guardem relações entre si. A variedade dos critérios com que tem sido abordado o problema da normalidade psicológica serve principalmente para indicar a sua complexidade, sem oferecer uma orientação realmente útil que nos permita compreender a normalidade e diagnosticá-la, o que é, às vezes, tarefa do psiquiatra.

Seu caráter dinâmico e a elasticidade dos seus limites explicam em grande parte as dificuldades com que tropeçam os que tentam definí-la e delimitá-la de maneira concreta e categórica. Chega-se à conclusão de que não é possível situar a normalidade em um ponto fixo, em um nível constante, em uma medida matemática, mas que, ao contrário, temos que aceitar uma ampla zona com várias faixas de diferentes tonalidades.

  1. Dois indivíduos podem apresentar estruturas psicológicas que não permitem uma superposição, e nem por isso deixarão de merecer o diagnóstico de normalidade.
  2. Estamos nos recordando no momento de uma senhora que nos trouxe o filho de 18 anos para observação psicológica, com o seguinte preâmbulo: «Eu mesma não sei se meu filho precisa de tratamento, mas achei prudente trazê-lo para ouvir a sua opinião, porque êle é diferente do irmão, e eu acho mais natural o modo pelo qual o outro se comporta no meio social».
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A análise da estrutura caracterológica revelou uma boa organização do jogo de fôrças psicológicas orientadoras da conduta explícita e implícita, ausência de sintomas e de ansiedade neurótica; chegamos mesmo à conclusão de que se tratava de um adolescente extraordinariamente inteligente, capaz, honesto, com ideais construtivos capazes de serem realizados por ele, atendendo às suas qualidades potenciais, apenas não grande apreciador das futilidades sociais e menos loquaz do que o irmão.

No caso vertente ficou apurado que justamente o filho mais apreciado era realmente o que precisava de tratamento, pois a sua grande atividade era um recurso que usava para escoar um pouco da sua ansiedade. Não se pense tampouco que as fronteiras da normalidade podem ser traçadas com absoluta nitidez.

Principalmente depois que o pensamento dinâmico penetrou a psicologia normal e patológica, e as investigações diagnósticas não se limitam mais às aparências do comportamento explícito, todos os autores começam a acentuar a artificialidade da separação nítida entre a normalidade e a anormalidade psicológica.

Entretanto, com tôdas estas reservas, admitimos a realidade do homem normal, que não pode e não deve ser confundido com o anormal e o doente, a menos que se incorra em uma verdadeira ilusão, conseqüência da confusão de valores. CRITÉRIOS DE APROXIMAR O PROBLEMA Na impossibilidade de analisar, dentro dos limites dêste trabalho, os diferentes critérios propostos até o momento para a definição e estudo da normalidade, referiremos apenas algumas das limitações propostas pelos representantes dos diferentes critérios.

Aliás, a adoção de um critério parcial tem a desvantagem de fragmentar o problema, com sacrifício evidente da harmonia do conjunto. De acôrdo com o critério normativo, o homem normal seria o tipo perfeito, o arquétipo humano. Portanto, tratar-se-ia de uma abstração.

  1. Dentro do critério estatístico, chama-se normal ao tipo de homem mais freqüente.
  2. Na nossa cultura a maior freqüência corresponderia a tipos indiscutivelmente coartados.
  3. Dentro do critério clínico, o homem normal seria o homem sem sintomas.
  4. O critério constitucionalista estabelece a igualdade «homem normal» = «estrutura genotípica normal».

Se adotássemos o critério sociológico, chamaríamos de normal o homem que em seu meio encarna melhor o tipo convencional da cultura, o que mais concorda com o espírito da época, e se adapta às exigências do ambiente. Dentro do critério criminológico, normal é o homem que não transgride as leis.

  1. Finalmente, o critério médico-legal fala em normalidade no caso em que o indivíduo é capaz de dirigir civilmente as suas ações e pode ser imputado responsável pelos seus atos.
  2. Dentro do critério psicanalítico não se fala em normalidade.
  3. É preciso não esquecer que a psicanálise teve por base as observações de Freud no seu trabalho com neuróticos.

O fato indiscutível de que no meio social a neurose seja uma ocorrência relativamente freqüente, de tal modo que mesmo fora do consultório Freud pudesse verificar comportamentos que não diferiam muito da conduta dos seus pacientes, deve ter concorrido para que a tendência indutiva do grande mestre o levasse a postular, por generalização, a universalidade da condição neurótica.

A grande difusão da psicanálise, que trouxe incontestavelmente à medicina psicológica um método para compreensão dos desvios da normalidade e seu tratamento, fêz com que neste século assistíssemos a uma verdadeira avalanche de livros versando sôbre a psicologia normal, neuroses e psicoses, no seu aspecto dinâmico, a tal ponto que se chegou a perder a perspectiva da normalidade psicológica, atingindo-se o extremo de não se usar a palavra normalidade psicológica, ou empregá-la com muito cuidado, assinalada de aspas.

O anseio de precisar o conceito de homem normal remonta aos tempos clássicos. Aristóteles pensou encontrar uma fórmula, na base dos valores prototípicos da humanidade, e aproximou a normalidade da perfeição. Platão disse que o homem normal é aquêle «que possui um organismo suscetível de compreender a noção do que é justo; anormal é o que não se pode adaptar a esta compreensão, à educação e à instrução, sem as quais a vida social se torna impossível».

Pascal tropeçou no caráter paradoxal do homem, assustou-se com a difusão das neuroses, e chegou a escrever: «Les hommes sont si necéssairement fous, que ce serait être iou par une autre tour de folie de n’etre pas fou». Para muitos filósofos, sociólogos e literatos modernos, a normalidade eqüivale à mediocridade, e é caricaturada como algo de que o indivíduo devesse se envergonhar.

O «filisteu» de Schopenhauer e de Heine, o «burguês» de Flaubert, o «homem medíocre» de lngenieros, o «homem domesticado» de Lombroso, o «equilibrista» de Bovril, o «indiferenciado» de Kibot, o «perfeito pai de família» de Rojas, o «Babbitt» de Sinclair Lewis, o «homem vulgar», o «bom rapaz», são expressões com que se tem procurado ridicularizar um dos aspectos da normalidade – a adaptação ao grupo social.

Na caracterização de lngenieros, o homem normal está personificado pelo homem da massa, «o que nos rodeia aos milhares, o que prospera e se reproduz no silêncio e na treva»; é o homem sem idéias, sem personalidade, por essência imitativo, apto a viver como carneiro de rebanho, refletindo a rotina social, aecitando os preconceitos e dogmas úteis à sua condição doméstica; a alma dêsse homem medíocre não tem nada de espontaneidade, é um reflexo da alma da sociedade em que vive, porque a característica dêste homem é imitar a quantos o rodeiam, pensar com a cabeça alheia, e ser incapaz de formar concepções e ideais próprios; deste modo, ele é o espírito conservador do grupo, interessado em manter os seus hábitos, que lhe amenizam o esfôrço de viver.

Nessa literatura pseudo-científica o que se nota é uma grande confusão de valores. As descrições apresentadas limitam-se a observações superficiais, a que falta muitas vezes perfeita objetividade, e que deixam transparecer uma certa atitude emocional de crítica e desprêzo, que não se coaduna com o espírito da ciência.

O «homem medíocre» de Ingenieros não está suficientemente estudado para que possamos concluir se se trata simplesmente de um oligofrênico, incapaz de contribuição maior ao grupo social, devido às suas limitações naturais, ou de um neurótico, inibido pela necessidade de adaptar-se desde criança às vicissitudes de tôda a ordem, e incapaz de opor-se mesmo às exigências mais absurdas do ambiente, sob pena de entrar em pânico e não saber como resolver a ansiedade.

Outra confusão muito freqüente na literatura pseudo-científica, que também afeta a compreensão do problema da normalidade, é a que se estabelece em tôrno de genialidade e neurose. Os biógrafos dos homens superiores têm descoberto em alguns dêles traços neuróticos bem evidentes, o que, entretanto, não autoriza a postular a igualdade entre gênio e neurótico.

  • São duas condições diversas em si mesmas, que às vêzes coexistem no mesmo indivíduo devido a razões que começam a ser averiguadas.
  • Os neuróticos, entretanto, usam essa coexistência, erigida em generalização, como um recurso espúrio para fortificarem o ego enfraquecido.
  • Essa confusão lamentável explica o aparecimento de uma série de livros e artigos pseudo-literários e pseudo-científicos, de títulos que fascinam qualquer neurótico, como, por exemplo, «Orgulhe-se de sua Neurose», e outros como tais.

Dentro da própria psiquiatria, o conceito da normalidade tem sofrido deformações de tôda a ordem. Morei, representante máximo da doutrina da degeneração, considera como normal apenas o exemplar específico original do homem, em todo o seu primitivismo, ainda não «degenerado» pelo processo da civilização.

Isto corresponde mais ou menos à ficção, popularizada por Jean Jacques Rousseau, do homem liberto, vivendo em contacto com a natureza, admirável na sua espontaneidade e pujança. Tão pouca é a atenção dada ao problema da normalidade pelos demais psiquiatras, que para concluirmos o conceito de muitos dêles, temos que inverter os têrmos das definições apresentadas para a loucura.

Normal, para Locke e Lauret, é o homem que acerta. Para Lemoine, normal é o indivíduo que pensa e atua como os demais. Binet e Simon dizem: «E’ o que conserva um bom equilíbrio mental e revela-se capaz de adaptar-se ao meio ambiente». De acôrdo com Dupré, normal é o homem que não está sob qualquer influência mórbida, que não comete atos estranhos, imotivados e perigosos para êle e os demais.

Otto Lenghi, impregnado da orientação organicista, diz que o normal é o que não apresenta nenhuma alteração da personalidade psíquica, dependendo de alguma anomalia ou processo mórbido cerebral. Para Gamier e Santin Rossi, pode-se falar em normalidade no caso dos indivíduos que não apresentam nenhuma detenção no desenvolvimento, desvio ou enfraquecimento das faculdades mentais, correspondente a uma entidade mórbida definida, que são capazes de ter consciência e exercer voluntariamente os direitos e obrigações estabelecidos pelas leis.

A situação atual, portanto, em relação ao problema da normalidade psicológica, é a seguinte. Alguns, principalmente os que se deixam orientar pela mentalidade psicanalítica ortodoxa, negam-na simplesmente. Outros, adotando uma atitude pseudo-científica, confundem-na com a covardia, com a passividade, que são traços decididamente neuróticos.

Outros negam ao homem civilizado, trabalhado pelas fôrças culturais, o direito de ser normal. E a maioria dos psiquiatras clínicos define a normalidade por simples exclusão da neurose ou psicose. Tudo isso indica o grande desconhecimento do homem normal. Por isso mesmo as definições propostas até o momento são pouco explícitas, por demais gerais, abstratas, teóricas, absurdas, e limitam-se apenas à superfície ou aparência dos fatos, sem procurar penetrar na estrutura psicológica mais profunda.

Conforta-nos um pouco poder registrar aqui o conceito explanado por Nerio Rojas na sua «Psiquiatria Forense», indicador de um esfôrço produtivo para a compreensão do problema, quando se exprime do seguinte modo: «Dentro das variações individuais e das oscilações fisiológicas naturais no mesmo indivíduo, devemos considerar como homem normal mentalmente aquêle que aprecia com exatidão tôdas as formas acessíveis da realidade para atuar com inteligência no meio ambiente, promovendo uma adaptação ativa, lógica e útil a fatos, coisas e pessoas.

Como se vê, trata-se de uma normalidade prática, e não da normalidade ou saúde ideal, que representa mera abstração. Tudo isso efetua-se espontaneamente dentro de um equilíbrio dinâmico, variável e natural, sem auto-consciência dos seus mecanismos, mas com crítica vigilante dos seus desvios». DIFERENTES ASPECTOS DA NORMALIDADE PSICOLÓGICA Qualquer esfôrço no sentido da sintetização de um conceito de normalidade deve tomar em consideração os variados aspectos da vida psicológica.

Não se pode limitar apenas ao nível da inteligência e à análise psicométrica dos processos mentais, mas considerar igualmente estruturas mais sutis, que dizem respeito à dinâmica emocional e afetiva. Outro cuidado que se impõe é evitar julgamentos apressados feitos na base apenas da observação da aparência exterior e da conduta explícita.

Só depois de compreendermos o modo pelo qual o equilíbrio pessoal está organizado, nos assegurarmos da estabilidade relativa dêsse equilíbrio, quando pudermos avaliar a qualidade produtiva dos ideais do indivíduo, as suas potencialidades e capacidades de realização, poderemos nos exprimir com certa segurança quanto à normalidade de um indivíduo.

Só quando a conduta explícita e implícita se revelarem uníssonas, é possível falar em normalidade, que requer em si mesma uma harmonia total e profunda, uma ordem ampla e complexa, que não é conferida apenas por um órgão ou função determinada, nem somente por um dado aspecto da vida psicológica, mas pela conjunção feliz de diversas condições parciais, que se compensam mutuamente.

O aspecto puramente formal e aparente pode representar apenas uma atitude artificial, seja conscientemente fraudulenta ou convencional, seja como recurso neurótico de ajustamento, assumida por obrigação, conveniência, ambição, ou qualquer outra motivação espúria, que tantas vezes contamina a personalidade humana.

Não resta dúvida de que um dos fatores primordiais no diagnóstico da normalidade é representado pelo desenvolvimento suficiente e atividade adequada da inteligência. Só a consideração dêste elemento exclui ipso facto os oligofrênicos, os psicóticos, e todos os portadores de estados que se traduzem por acentuada insuficiência, desvio ou perturbação das funções intelectuais propriamente ditas.

  • Não basta, entretanto, o funcionamento intelectual satisfatório; a êste se deve associar uma organização afetivo-emocional, não só explícita na conduta, mas como realidade íntima, caracterizada por equilíbrio.
  • A normalidade reveste ainda um aspecto ético, que exige a presença das virtudes humanas, sem as quais as próprias potencialidades intelectuais adquirem aspecto estéril.

A firmeza do caráter, a dignidade pessoal, a retidão, a lealdade, o que se chama nobreza de sentimentos, o bom senso, a capacidade de vencer honestamente os obstáculos da vida e reafirmar-se como elemento do grupo são fatôres que devem pesar obrigatoriamente na balança, quando pesamos a normalidade.

Em uma palavra, é na estrutura do caráter individual que encontramos as bases para o diagnóstico da normalidade psicológica. Encontramo-nos, portanto, em frente de uma dupla tarefa: distinguir a estrutura do caíáter neurótico da estrutura do caráter normal. A conduta explícita adequada é um bom indicador da normalidade, ainda que não baste para definí-la ou afirmá-la.

As neuroses bem controladas e os psicopatas inteligentes passariam incólumes neste exame superficial. A conduta do indivíduo normal é a conseqüência natural do dinamismo psicológico sadio. Se houver concordância entre os planos superficiais e profundos da vida psicológica, poderemos dizer, corno no Evangelho de São Mateus: «Pelos seus frutos os conhecereis.

Porventura colhem-se uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos?» Antes de entrarmos propriamente na apreciação da estrutura caracterológiea normal e distingui-la da neurótica, diremos que o indivíduo normal, em face da vida, age como o jogador honesto, que não recorre a truques e falcatruas, sem tortuosidades, sem voracidades incontidas, simplesmente porque prescinde de recursos espúrios para lidar com a realidade.

Ele tem capacidade para vencer, e é perfeitamente consciente das suas possibilidades e das suas limitações, que aceita. CONDUTA EXPLICITA E NORMALIDADE Com certas reservas, a conduta é o indicador mais imediato e prático da normalidade psicológica. Um dos pontos que caracterizam a conduta normal é a sua consistência e regularidade, o que permite a previsão e compreensão das ações individuais.

O anormal conduz-se em face das circunstâncias com reações imprevistas, adotando normas próprias, incompreensíveis a uma observação superficial. O que autoriza a falar desde logo, ao primeiro contacto, em anormalidade, no caso dos psicóticos, é precisamente a qualidade imprevista e paradoxal de sua conduta, o que explica a dificuldade em conservá-los no ambiente social, e a reação geral de receio que eles despertam nos demais.

Portanto, se pensarmos em têrmos de conduta explícita, num plano relativamente superficial, a normalidade pode ser definida como a capacidade de reagir às condições ambientais de modo natural, comum, regular e previsível. Nessas condições, o estudo de um pequeno período da vida individual nem sempre é suficiente para que se possa afirmar a normalidade.

Se, entretanto, grande parte da história vital se revela caracterizada por harmonia, regularidade de conduta, produtividade, adaptabilidade, e relações favoráveis com os circunstantes, possuímos preciosas indicações para admitirmos a hipótese de normalidade; estamos mesmo em condições de prever até certo ponto quais serão as reações do indivíduo em face de diferentes situações.

Principalmente as reações pessoais aos estímulos e situações desfavoráveis constituem valiosos indicadores em relação ao ponto que nos interessa. Mesmo respeitando as diferenças individuais, o modo de controlar as situações penosas da vida, de procurar modificá-las quando é possível, e adaptar-se a elas até certo ponto, preservando o equilíbrio pessoal, é característico na normalidade e diferente da anormalidade.

  • Os psicóticos refugiam-se na irrealidade, os neuróticos perturbam-se, e os psicopatas degradam-se, quando atravessam momentos difíceis que redundam em insatisfação pessoal.
  • Enquanto que as dificuldades reais são tomadas nas suas proporções objetivas pelos indivíduos normais, os neuróticos agigantam, pelas repercussões subjetivas, o vulto da realidade, e sentem o seu equilíbrio ameaçado.

Os normais fortificam-se aos embates; os neuróticos e psicopatas tornam-se fracos e pusilânimes, usando mais que nunca os seus mecanismos de defesa, que tornam a sua conduta tortuosa e imprevisível. O sentido moral da conduta é um outro característico da normalidade.

Êste é um ponto que tem sido bastante descurado até o presente. Sem êste aspecto, faltaria ao quadro da conduta normal algo que a faz objeto da admiração dos que a podem admirar. «A beleza moral» – escreve Alexis Carrel no seu livro «O Homem, êsse Desconhecido» – «é um fenômeno excepcional e inolvidável.

Quem o haja contemplado, uma vez que seja, nunca mais esquece o seu aspecto. E’ uma forma de beleza muito mais impressionante do que a beleza da natureza e da ciência. Confere aos que possuem seus dotes divinos uma fôrça estranha e inexplicável. Aumenta o poder intelectual.

  1. Estabelece a paz entre os homens.
  2. Mais do que a ciência, a arte e os ensinamentos religiosos, a verdadeira beleza moral é a base da civilização».
  3. Durante a última guerra, nos campos de concentração nazistas e japoneses, grupos de indivíduos viram-se sujeitos a situações verdadeiramente experimentais, que permitiram observar o comportamento humano ante as privações mais duras.

Respostas francamente psicóticas não faltaram; soluções neuróticas multiplicaram-se. Os que sofriam de uma hipotrofia do aspecto moral e ético da personalidade, como os psicopatas em diferentes graus, manipulavam as realidades sem qualquer respeito ao direito dos companheiros, com a única preocupação de obter a máxima satisfação para os próprios apetites.

Mas os relatórios dos psiquiatras militares encerram também páginas dignas de aprêço e admiração sincera, com a história de muitos heróis desconhecidos, que, embora encarassem a realidade com objetivismo, e estivessem legitimamente preocupados com a conservação da própria vida, não levaram o lema de «Salve-se quem puder» aos extremos do egoísmo desenfreado, conservando interesse pelos companheiros e o respeito e estima próprios.

O desequilíbrio momentâneo, provocado numerosas vêzes no decorrer do curso vital pelas situações particularmente difíceis, exige um reajustamento da dinâmica individual, às vêzes em bases bem diversas das anteriores. O modo pelo qual se resolve o conflito de realidade, a sua maior ou menor persistência, depende do eco que desperta dentro do indivíduo, da quantidade de ansiedade liberada, e dos mecanismos de adaptação implicados no ajustamento.

  • O tipo de solução dado ao problema e o equilíbrio dinâmico final são pontos a tomar em consideração na avaliação da normalidade.
  • Insistiremos, entretanto, que a avaliação das aparências não é nunca suficiente para um diagnóstico exato.
  • Quando falamos em aspecto moral e ético da conduta humana, estamos nos referindo não apenas a realidades aparentes, mas à organização intrínseca, real, que orienta a conduta normal e prescinde de escamoteações e artifícios.

Há, por exemplo, indivíduos que apenas agem de modo aprovado pelos cânones sociais, quando estão certos de que estão sendo observados por uma pessoa de cuja boa opinião dependem; trata-se, nesses casos, de uma pseudo-moralidade, apenas para uso externo e com caráter de oportunismo.

  • Outros levam a vida tôda preocupados sòmente com o que «os outros» pensam dêles.
  • Agem bem, aparentemente, por inteligência, por habilidade, mas se pudessem exprimir em linguagem clara o que vive dentro dêles, assistiríamos, como nos contos da Carochinha, saírem cobras e sapos de suas bôcas.
  • Há ainda os que se guiam pela máxima «Façam o que eu digo e não o que eu faço»; êsses são os moralizadores desmoralizados.

Tudo isso indica que pode haver conhecimento moral e ético de tipo intelectual, sem uma organização dinâmica emocional e afetiva que lhe sirva de base. Como se trata de uma atitude artificial, mantida à custa de certo esfôrço consciente ou inconsciente, podemos estar certos de que a moralidade dêsses indivíduos resume-se numa farça, que, ou não é mantida de modo constante, ou provoca uma situação de verdadeiro esgotamento.

Dentro dessa ordem de idéias, devemos estar preparados para fazer face a uma realidade um tanto desagradável: se a normalidade fôr medida tanto pelo desenvolvimento intelectual como pelo aspecto moral e ético, vamos começar a verificar quão medíocre é o nível de dignidade da maior parte da humanidade, e quão poucos são os homens que possuem um desenvolvimento razoável das chamadas virtudes cristãs.

Resta-nos o consolo de poder afirmar que existem homens cuja vida se caracteriza por uma orientação honesta, homens que podem jogar o jogo limpo, o que afinal de contas constitui prova de que o tipo normal, mesmo com as exigências que estão sendo apresentadas para o seu diagnóstico, não constitui abstração ou ideal.

A grande desproporção entre o desenvolvimento da inteligência e do aspecto moral do homem da nossa cultura é incontestàvelmente um dos fatores do desequilíbrio social hodierno. Perdidos os valores éticos das idades passadas, enfraquecido o poder controlador da religião, o homem, jogado numa civilização capitalista, que exalta os bens materiais, faz-se mercenário, e procura convencer-se a si mesmo de que acumulando fortuna e prestígio consegue mascarar o profundo sentimento de insegurança que o tortura, e manter certo grau de estima própria.

Sem conhecer a si mesmo, sem compreender que a sua grandeza ou a sua miséria dependem de forças inerentes a êle próprio, o homem do nosso século, orgulhoso de haver dominado a natureza, sente-se pequeno e miserável ante as fôrças sociais que êle mesmo, no seu profundo desconhecimento próprio, preparou e mantém.

  • Isolado da natureza pela evolução psicológica, êle assiste à limitação do próprio ego, e sente-se cada vez mais irremediavelmente só, porque, admitidas as exceções, não consegue aproximar-se dos seus semelhantes, separado que está por hostilidades recíprocas e medo de parte a parte.
  • A realidade triste da maioria dos homens do nosso grupo social levou certos pensadores a generalizarem a fórmula neurótica como condição natural do homem, e a referir-se a êle como «Homo lupus ho minis», expressão subscrita por Freud no seu livro tão impregnado de pessimismo, «A Civilização e seus Descontentamentos».
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Assim, acusa-se o homem civilizado de mau, quando, na realidade, trata-se mais de infelicidade e de neurose, do que pròpriamente de maldade. O fato de que a neurose esteja muito difundida não significa que ela constitua a condição natural do homem, o destino a que êle não pode escapar.

O fato de que nas culturas medievais todos os indivíduos fôssem parasitados por piolhos não quer dizer que a pediculose seja o estado normal do homem. O homem forte e capaz, ciente do próprio valor, conhecedor das suas possibilidades e limitações, aquele cuja vida não é orientada por agressões desenfreadas nem sempre conscientes, o que pode confiar nos seus semelhantes sem mêdos, o que, em suma, não se sente só, o que se pode entregar ao prazer da dependência emocional sem anular-se ou sentir-se ameaçado em sua independência – o homem normal, em uma palavra – não precisa ser mau para vencer, e não o é.

Consegue dar um sentido produtivo à sua vida, sem precisar destruir os seus semelhantes. Talvez a solução para a tremenda crise moral que a humanidade atravessa esteja na revelação, ao próprio homem, das suas necessidades emocionais e afetivas, das suas potencialidades psicológicas, das suas limitações naturais, às quais se deve conformar, para que, consciente de si mesmo, êle possa saber o que quer, aprender a dirigir-se no sentido da obtenção de objetivos reais, valendo-se de recursos honestos e leis, que lhe permitem prescindir de fachadas, e abandonar ideais espúrios que o escondem de si mesmo, enchem-no de vergonha consciente ou inconscientemente, e abalam cada vez mais a sua segurança.

  1. A psicanálise freudiana, ao postular a agressão como instinto, e o homem como um feixe de necessidades instintivas que se chocam com as convenções sociais, chegou a conclusões absolutamente pessimistas quanto às possibilidades de aperfeiçoamento humano.
  2. O novo pensamento dinâmico, aliando dados antropológicos, sociológicos e psicológicos recentes, está chegando a uma imagem mais satisfatória do homem, capaz de permitir atitudes construtivas.

O mal não reside pròpriamente na natureza intrínseca do homem, mas na sua neurose, que é razão ao mesmo tempo da sua maldade e da sua tortura. A neurose representa recurso de que lança mão o indivíduo para assegurar o seu equilíbrio ameaçado e continuar vivendo apesar dos pesares.

Como geralmente a estrutura neurótica do caráter se esboça já nos albores da vida, devido às condições emocionais desfavoráveis a que é exposta a maioria das crianças, é de esperar que o aperfeiçoamento da técnica de educação infantil redunde pelo menos na atenuação dos dramas e conflitos humanos, cuja ação corrosiva enfraquece o ego e explica as reações neuróticas.

Não somos exageradamente otimistas, embora não nos sintamos irremediavelmente pessimistas. Olhamos com a possível objetividade para o panorama atual, revestidos do espírito que orienta o pensamento dinâmico contemporâneo. Fazemos nossas as palavras dos irmãos de Goncourt: «A bondade que resiste aos homens e aos desenganos, a bondade que tenho encontrado em estado de pureza em poucas pessoas durante a minha vida, é o bem mais excelso que há no homem».

  1. Fazemos, pois, questão de estabelecer a moralidade intrínseca como um dos atributos genuínos da normalidade, e lastimar a escassez das provas psicológicas para avaliar êste aspecto delicado e superior da vida humana, enquanto abundam os testes para medir a capacidade intelectual.
  2. Êste estado de coisas indica a precariedade do ideal humano nos tempos que correm, pela supervalorização dos fatores intelectuais, e esquecimento do aspecto moral e ético.

O CARÁTER FLEXÍVEL DA NORMALIDADE A capacidade do homem normal de manter-se em estado de equilíbrio é uma característica da condição. Êste equilíbrio nada tem de estático; desloca-se a todos os momentos, exigindo constantes ajustamentos, de acôrdo com as circunstâncias, que variam.

Essa flexibilidade do indivíduo normal não indica fragilidade, nem instabilidade, nem morbidez. A estabilidade absoluta, a rigidez, esta sim, é anormal, pois impede as freqüentes e necessárias adaptações às condições sempre novas da vida, que é em si mesmo movimento. O compulsivo pode agir de modo aparentemente adequado, com absoluta regularidade, usando sempre os mesmos processos de manipular a realidade, com relativo êxito, sem que por isso mereça o diagnóstico de normalidade.

Se a realidade algum dia for de tal ordem que exija flexibilidade e requeira ajustamentos freqüentes em novas bases, é quase certo que o compulsivo sucumbirá à ansiedade desencadeada pela necessidade de abandonar os seus recursos sempre uniformes. O normal, ao contrário, pode adaptar-se às novas situações, compensando, sem ansiedades desnecessárias, o desvio inesperado do seu centro de gravidade.

Enquanto que a normalidade aparente ou falsa é sempre o resultado de um esfôrço constante e sobre-humano de manter o equilíbrio, a normalidade verdadeira impressiona como algo natural, que brota sem esforço, embora, dado o caráter das realidades sociais, não possa prescindir de um certo trabalho de vontade para manter as pautas da conduta num plano de dignidade.

Desde que a sua base é um equilíbrio dinâmico, conseguido pela conjunção de várias fôrças, a normalidade não pode ser simples, permanente no seu aspecto, uniforme e única. Ela comporta várias categorias, vários níveis, matizes e tipos. Aparece às vêzes mais perfeita, outras vêzes meis imperfeita; pode apresentar-se vulgar e comum, e distinguir-se como superior e genial.

Nem sempre ela é impecável, e não podemos negá-la pela simples presença de uma pequenina fraqueza, de um pouco de originalidade, que distingue um indivíduo de outro. Os normais têm os seus maus momentos, como os anormais as suas boas horas. Por isso mesmo, não é um sinal certo de anormalidade o fato de incorrer o indivíduo numa irregularidade esporádica da conduta; como também não autoriza o diagnóstico de normalidade por si só uma conduta explícita isenta de falhas.

A pessoa normal, segura de si mesma, pode sem ansiedade dar-se o prazer de certas extravagâncias inocentes, que o neurótico, inseguro e preocupado em manter a sua estima pessoal e a dos outros, não se pode permitir. ASPECTO IMPLÍCITO DA NORMALIDADE Caracteriza a normalidade, no plano intelectual, não apenas um certo volume de inteligência e ausência de alterações dos diferentes aspectos da vida mental, como principalmente o modo pelo qual a inteligência é usada na solução dos problemas de adaptação.

  1. Não se trata apenas de perfeita clareza mental e de lógica, mas antes do sentido da atividade intelectual, o «espírito» que a orienta, ou, melhor, das fôrças emocionais que a impulsionam.
  2. O pensamento dos compulsivos pode ser robusto, sem que isto autorize o diagnóstico de normalidade.
  3. Certos psicopatas deixaram nome nos anais da história pelo caráter destruidor da sua inteligência, e nem por isso escaparam ao diagnóstico retrospectivo.

Nos paranoídes vemos, sôbre premissas falsas, orientadas catatìmicamente, como por exemplo a crença de que conspiram contra êles, um enrêdo mental lógico e claro, que denota em alguns casos grandes reservas intelectuais e cultura. O paranóide, o psicopata, o compulsivo, como de modo geral todos os que atuam sob a inspiração de um caráter neurótico, fogem à condição intrínseca da normalidade intelectual, que é usar a inteligência num sentido construtivo; êles a delapidam inutilmente e fracassam quando têm de entrar em relação um pouco mais estreita com as coisas e sêres do mundo, que nunca chegam a compreender, no sentido mais profundo da palavra.

  • Algumas vêzes o indivíduo, levado pela sua neurose, simplesmente não se aproxima do mundo, ou o faz de modo indiferente.
  • No caso da personalidade normal, ao contrário, um fenômeno, um objeto, um animal, ou outra pessoa torna-se assunto de cogitação intelectual, pela interêsse que desperta; nessas condições, para o indivíduo normal, o mundo não se resume a um palco povoado de coisas inanimadas, manipuladas por êle apenas de acordo com as suas necessidades emocionais, e sujeitas a um simples jogo intelectual.

No caso da normalidade, o pensamento, a elaboração intelectual é determinada pela reação total do indivíduo ao objeto, e guarda estreitas relações com a atitude emocional daquele. Essa atitude emocional deve ser de tal ordem que permita respeitar a realidade, sem deformá-la nos seus elementos essenciais.

Sem objetividade e certa dose de subjetivismo não se pode falar em normalidade. A pessoa normal é afetada pelo mundo exterior, ao qual reage espontaneamente, ao mesmo tempo que consegue ver e sentir a realidade como ela se apresenta, e não como desejaria que fôsse. A objetividade concebida nesses têrmos não significa de modo algum indiferença, como de outro lado subjetividade não quer dizer paixão.

Êsse aspecto da normalidade, ou seja, a polaridade entre objetivismo e subjetivismo, é particularmente importante para os que trabalham com problemas humanos. Sem um certo grau de interesse pelos semelhantes, não é possível vencer as vicissitudes inerentes a êsse tipo de trabalho.

  • Se, entretanto, as emoções individuais, quer positivas, quer negativas, interferirem excessivamente no trabalho de análise e de reconstrução do paciente, o pensamento tende a degenerar em especulações, críticas, fantasias, que viciam a compreensão da realidade.
  • Convém frisar que objetividade não significa indiferença ou afastamento, mas antes aproximação, interêsse e respeito pela realidade.

O perigo não está no interêsse do indivíduo pelo fenômeno ou pela pessoa, mas no interêsse vicioso, que mascara intenções neuróticas e é incompatível com a verdade. Dentro da polaridade referida (objetivismo-subjetivismo), o objeto de estudo tanto é visto no seu conjunto como nas partes que o constituem.

A consideração do todo, com esquecimento das partes, como também a excessiva atenção aos detalhes, a observação de aspectos parciais do fenômeno sem a preocupação do conjunto, sacrifica certamente a valorização exata dos fatos; nem uma nem outra atitude revela respeito pelo objeto. Como é fácil compreender, o sentido ou o «espírito» da atividade intelectual, que vimos analisando, guarda íntimas relações com a fórmula emocional do indivíduo, ou seja, com a estrutura do seu caráter.

Ainda que não seja exclusivamente no terreno do amor que a realidade emocional de cada um se põe de manifesto, é incontestàvelmente nesse terreno que a normalidade sofre seu teste mais acurado. Podemos dizer que tôdas as pessoas amam, ou pelo menos pensam que amam, a seu modo, mas que o amor normal é privilégio apenas de alguns.

  • A maioria julga que nada há mais fácil de amar e, quando infelizes, limitam-se a explicar a falência própria pela falta de sorte em encontrar um parceiro adequado.
  • A análise da situação dêsses «caiporas» no amor revela, em muitos casos, que a culpa não é exclusivamente do parceiro, que se trata de uma verdadeira incapacidade de amar, ou seja, de uma deturpação inconsciente desse sentimento, cujo sinal positivo se enfraquece pela interferência de variadas forças negativas.

A dificuldade em definir o amor reside, em grande parte, no fato de que cada um sente êsse estado diferentemente, de acôrdo com o seu modo de relacionar-se às coisas e amar aos sêres». Há quem chame uma relação de pura dependência, amor; outros acham que amam quando simplesmente desejam a posse de um objeto; o que se deixa explorar declara-se apaixonado, e o explorador também não trepida em dizer que está amando.

A verdade é que todos durante a vida conjugam o paradigma da primeira conjugação, mas poucos o fazem de modo predominantemente construtivo. Deve ficar entendido que o verdadeiro amor é sentimento bastante específico, e que a sua realização, dada a situação neurótica de nossa cultura, é privilégio de poucos.

O próprio amor materno, que tem sido tão exaltado através dos tempos, presta-se a deformações de toda a ordem, no zêlo e carinho misturando-se às vêzes dominação tirânica, exigências absurdas, absorção egoísta, proteção excessiva, etc. Erich Fromm, no seu livro «Man for Himself», caracteriza o que êle chama «amor produtivo», que condiz com o nosso modo de entender o «amor normal»; seus elementos básicos são: ternura, responsabilidade, respeito, conhecimento da pessoa amada.

  1. Ternura e responsabilidade», diz Fromm, «denotam que o amor é uma atividade e não uma paixão que domina o indivíduo».
  2. Quem ama no sentido real da palavra preocupa-se com o bem-estar da pessoa amada e sente-se responsável pelo seu confôrto e felicidade.
  3. Sem respeito e conhecimento da realidade do objeto da estima, o amor deteriora em exploração, dominação e posse.

Respeito, diz Fromm, não significa medo e veneração; denota antes a capacidade de ver a pessoa como ela é, ter consciência da sua individualidade, e tratá-la como tal, reconhecendo o seu direito de desenvolver as suas potencialidades. Só amamos uma pessoa quando a conhecemos e a aceitamos com seus defeitos e qualidades; sem este conhecimento, o amor degenera em farça, pois que o objeto perde a sua realidade para ajustar-se ao ideal subjetivo do amante.

  1. Essa descrição tanto se aplica ao amor sexual como às demais relações afetivas, seja o amor entre irmãos, o amor filial, o afeto dos pais pelos filhos, a amizade, a dedicação à ciência, o cultivo das artes, e tôda a escala de sentimentos ao qual se aplica o têrmo amor.
  2. É precisamente no modo de relacionar-se às coisas e sêres do ambiente que a normalidade se define e se separa da anormalidade.

A atitude, por exemplo, em face de uma simples taça de sorvete pode assumir infinitas nuances. A personalidade adulta, emocionalmente madura, encara-a como um prazer alimentar simples, uma coisa que é saborosa, particularmente agradável num dia de calor, e absolutamente lícito.

Paia um adulto inseguro, o sorvete que lhé é oferecido por outra pessoa pode ter o valor simbólico de uma prova de afeto da mais alta importância. A gula, a voracidade, como o desgôsto, o desinterêsse ante uma taça de sorvete indicam que as relações do indivíduo com êste simples objeto estão prejudicadas; essa atmosfera emocional, que se dinamiza ante êste banal teste de realidade, naturalmente não se limita a esse incidente de pouca significação, mas interfere em outras relações de maior importância.

Passando por formas intermediárias (amor a um quadro, a uma casa, a uma sinfonia, a um animal), chegamos às formas mais elevadas do amor: o amor à arte, à ciência, aos semelhantes, e ao tipo mais íntimo da relação afetuosa, o amor sexual. (Não chamamos aqui amor à simples relação sexual, que apenas assegura a satisfação do instinto biológico).

  1. A intimidade, a aproximação estreita dos indivíduos requerida pelo amor sexual faz com que êste seja, na realidade, o indicador mais preciso, ainda que não único, da normalidade.
  2. Se o mêdo orienta o indivíduo nas suas relações com o mundo, é de prever que êle não possa se entregar de coração aberto ao intercâmbio emocional implícito no amor.

Oessencialmente agressivo, com tendências à exploração, não abre certamente uma exceção para a pessoa «amada». O inseguro, que precisa de constantes provas de apreço para a manutenção da sua própria estima, exigirá do parceiro por vários modos uma atitude de adulação constante.

O dependente achará recursos, nem que seja a doença, para fazer-se merecedor de compaixão e agarrar-se ao objeto do seu «amor» como o parasito do hospedador. Essas atitudes, reveladas no terreno do amor sexual, não se limitam apenas ao campo erótico, mas caracterizam o indivíduo nas suas relações com o mundo, quaisquer que sejam os aspectos assumidos pela realidade.

Há tanta correlação entre os diversos planos da atividade individual, que a observação bem orientada de um só aspecto do comportamento pode permitir, em muitos casos, avaliação bem aproximada da conduta pessoal em geral. Um observador perspicaz, apreciando as maneiras de uma pessoa das nossas relações à mesa do jantar, concluiu, com bastante exatidão, sôbre qual seria o comportamento dêsse indivíduo nas suas relações conjugais.

Há, entretanto, tanta dissimulação, tantos artifícios no comportamento explícito da maioria das pessoas, interessadas em esconder seus interêsses e faltas inconfessáveis, que a simples verificação de boas maneiras em público não autoriza generalizações apressadas, e não é garantia, portanto, do que chamamos normalidade.

A pobreza de atividade é o sintoma mais aparente de organização emocional viciosa; a dinâmica do fenômeno – como aliás acontece com tôdas as atitudes humanas – é sempre complexa, e varia de indivíduo para indivíduo. A atividade, entretanto, por si só, não define a normalidade.

  1. A atividade normal traduz a capacidade pessoal de usar as energias num sentido construtivo e realizar as próprias potencialidades, sem que o móvel seja a ansiedade.
  2. A hiperatividade pode ser tão neurótica quanto a inatividade, representando nada mais do que um recurso de controlar a ansiedade individual; os seus móveis variam em cada caso.

Para o avarento, o invejoso, o ambicioso, o trabalho, longe de obedecer a motivos intrìnsecamente construtivos, e representar uma afirmação natural, espontânea, e legítima das potencialidades individuais, degenera em jôgo neurólico. Por isso mesmo, convém, quando queremos diagnosticar a normalidade, analisar o espírito que inspira a atividade, isto é, a fórmula emocional que impele o indivíduo nas suas realizações.

  1. Não é absolutamente necessário que as realizações humanas tenham sentido prático imediato; as atividades teóricas, como o pensamento abstrato, podem indicar maturidade emocional, do mesmo modo que o trabalho clínico ou a atividade do artífice.
  2. O sucesso aparente ou a falta dêle não são por si mesmos indicadores exatos de normalidade.

O mundo atual está cheio de indivíduos artificiais, dotados de fachadas atraentes, que conseguem vitórias de prestígio, sem que por isso se sintam menos inseguros, menos ansiados. Excessiva ansiedade pode ser o motivo das suas conquistas sucessivas e do seu fracasso íntimo.

Por esta razão, quando pensamos em têrmos de normalidade, devemos estar mais interessados em avaliar a estrutura caracterológica pessoal do que em pesar e medir sucessos e fracassos. Um marceneiro no fundo da sua oficina, levando uma vida honesta e laboriosa ao lado da família, imbuído do sentimento da própria utilidade, e satisfeito com as formas que tira da madeira, pode ser mais normal do que o homem de negócios vitorioso, que nunca se satisfaz com a altura das pilhas de moedas na caixa forte, ou o brilhante condutor de massas, aplaudido pelas multidões, mas dentro de si mesmo envergonhado dos seus recursos golpistas e receoso dos homens e da má vontade de forças ocultas.

Tôdas as considerações acima conduzem muito naturalmente à conclusão de que a última palavra em matéria de normalidade é dada pela organização da estrutura do caráter pessoal. Finalizando, como sumário dos fatos apontados, diremos que o indivíduo adulto normal exibe uma personalidade que se caracteriza por harmonia entre os diferentes planos da organização pessoal.

  1. Nessas condições, suas atividades são espontâneas e naturais; sua conduta explícita condiz com as realidades emocionais profundas.
  2. Diremos ainda que o indivíduo emocionalmente adulto dá à sua vida sentido produtivo, e é capaz de usar tôdas as suas capacidades e desenvolver as potencialidades que lhe são inerentes; êsse processo implica uma consciência relativamente exata das suas realidades, das suas necessidades, das suas possibilidades e limitações.

Acrescentaremos que a personalidade sadia é capaz de manter relação natural e espontânea com o mundo, sem receios injustificados, sem agressões desnecessárias. E’ capaz de amar, e portanto de fazer-se amada, numa base de ternura, respoasabilidade, respeito e conhecimento recíproco.